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Crônica de um cientista que ousa em empreender



Meu nome é Luciana Maria Silva Lopes, mulher, negra, Bióloga e Dra. em Biologia Celular.


Na época do vestibular passei em Biologia na Puc Minas, e fiquei eufórica...era o que queria. A questão em minha casa era como pagar meu curso. Meus pais não pensaram duas vezes, com meus irmãos já trabalhando investiram na minha formação. Pagaram todas as mensalidades com aperto. Meus irmãos somente fizeram ensino superior depois que começaram a trabalhar.

A minha primeira aula foi sobre citologia, e ao longo da minha vida acadêmica eu me apaixonei pelo estudo da vida e tive a certeza da escolha profissional certa. Meus pais assustaram quando eu disse que seria cientista, como pode uma menina pobre e negra querer ser cientista? Será que seria aceita, respeitada.... Fiz primeiro estágio no departamento de Zoonoses da PBH, e um dia voltando do estágio e querendo mudar os rumos passei em frente a Funed. Uma amiga que estava comigo disse para tentarmos uma vaga ali, esse era o ano de 1996.



Deixamos o currículo no setor de Recursos humanos da época, e fui chamada para ser entrevistada pelo pesquisador Hector Montes de Oca, do Laboratório de Cultivo Celular. O Dr. Hector, era um medico argentino, que foi convidado pelo Prof. Carlos Ribeiro Diniz para compor a equipe da diretoria de Pesquisa da Funed. Na entrevista, o Dr. Hector falando em espanhol (confesso que tive muitas dificuldades para entender), perguntou-me que livro estudei citologia, respondi “De Robertis” , ele ficou eufórico e perguntou-me se conhecia no livro a foto do núcleo interfásico. Depois fiquei sabendo que era a foto que ele havia feito por MET (microscopia eletrônica de transmissão) de um núcleo celular em interfase e que havia sido publicado no livro do De Robertis, seu amigo. Muito do que sei hoje em dia sobre cultivo de células animais in vitro devo a ele. No ano de 1997 o Dr. Hector veio a falecer.



Após sua morte, prof Diniz designou a Dra. Consuelo para assumir o laboratório e terminar os projetos dele. A Consuelo assumiu e me manteve na equipe, com ela me orientando fiz mestrado na escola de engenharia da UFMG, pós graduação em ciência e técnicas nucleares, iniciando meus trabalhos em oncologia. Depois fiz meu doutorado em Biologia celular ICB/UFMG. A Consuelo como muitos sabem, eu a chamo de minha mãe cientifica, devo minha formação científica a ela, que sempre me orientou, tenho por ela enorme admiração, respeito e carinho.



Fiz o concurso da Funed, passei e assumi o Laboratório de Biologia Celular. Iniciei minha linha de pesquisa em oncologia. Desde então tive vários projetos aprovados, parcerias com várias IES em Minas Gerais, artigos publicados, 5 patentes depositadas e duas startups em atividade. No ano de 2008 conheci a Dra. Letícia, que co-orientei no doutorado, onde iniciamos estudos com câncer de ovário juntamente com o Dr. Agnaldo.


Em 2013 a partir dos resultados do doutorado da Letícia criamos a startup OncoTag. A OncoTag foi escolhida pela revista pequenas empresas e grandes negócios do grupo época como uma das 100 startups para se observar, publicado na edição de abril de 2018, e recebeu também o selo da 100open startups como uma das promissoras do Brasil e atualmente é investida pelo programa Biotechtown.



Hoje ás vésperas de completar 46 anos, 13/07, fico muito orgulhosa da minha trajetória profissional, tiveram muitos percalços pelo caminho mas minha determinação foi o que tem me conduzido até aqui. Ser sócia fundadora da OncoTag, indica em mim o DNA empreendedor do meu avô que era comerciante.


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