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Vacina em tempos de COVID-19

O novo coronavírus é um grande vírus envelopado formado por uma fita simples de RNA genômico. É o 3o coronavírus conhecido após a síndrome respiratória aguda grave (SARS) e a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), teve a primeira identificação em dezembro de 2019 e causa várias doenças respiratórias em humanos, levando a morte através de uma resposta imunológica exacerbada.



Imunoterapia é uma opção terapêutica eficiente na intervenção contra qualquer infecção viral. O processo para desenvolver uma vacina requer uma rigorosa avaliação cientifica e no caso da COVID-19 ainda estamos entendendo sobre comportamento do vírus e como este vírus afeta o nosso sistema imunológico.


O que fazer com a ansiedade e o desejo de retornar aos hábitos cotidianos realizados antes da pandemia?


Para obter um antígeno eficiente no combate ao vírus, o primeiro passo para a criação da vacina é isolar uma pequena amostra do agente causador da doença. Em seguida, é preciso avaliar em qual das três formas de desenvolvimento a vacina será produzida.

  • O próprio vírus – utilizando a unidade de proteína presente na casca do vírus ou até mesmo o próprio vírus atenuado ou desativado.

  • Com cepas de DNA ou RNA – um pedaço de material genético do vírus é vinculado a unidades de DNA ou RNA humano e inserido no organismo por meio da vacina. Com isso, as células de defesa passam a produzir o mesmo tipo de proteína do vírus e acende uma alerta para o sistema imunológico produzir anticorpos capazes de atacar o novo coronavírus em caso de infecção.

  • Com partículas semelhantes – também conhecidas como partículas sintéticas, são criadas por meio da engenharia genética e tem como objetivo reproduzir estruturas do vírus e forçar uma resposta do sistema imunológico.


Após escolhido o tipo de desenvolvimento, pesquisadores começam a trabalhar na fabricação de anticorpos e na criação de memórias imunológicas, essa junção resulta na vacina, que posteriormente entra em fase de testes. Após passar nas 3 fases de teste, a vacina passa pela autorização de produção e só então poderá ser comercializada. Existem várias tentativas em andamento com o propósito de desenvolver essa vacina.

Tentativas anteriores de desenvolver uma vacina contra as doenças do coronavírus, SARS e MERS, estabeleceram um conhecimento considerável sobre a estrutura e a função dos coronavírus, o que acelerou o desenvolvimento de várias plataformas tecnológicas para uma vacina COVID-19. Em 2020, não havia cura ou vacina protetora para a SARS que demonstrasse ser segura e eficaz em humanos. Também não há vacina comprovada contra a MERS. Quando a MERS se tornou predominante, acreditava-se que a pesquisa existente sobre o SARS pudesse fornecer um modelo útil para o desenvolvimento de vacinas e terapêuticas contra uma infecção por MERS-CoV. A partir de 2016, os candidatos a vacina aguardavam testes clínicos.



Resultados dos testes


No final de junho de 2020, 194 candidatos a vacina estavam em desenvolvimento, sendo 15 em testes em humanos: dois na fase II (eficácia e testagem de dose), cinco na fase I-II (segurança e eficácia) e oito em fase I.

No final de junho, também, o candidato vacinal desenvolvido pela Cansino Biotech, com bons resultados preliminares em humanos, recebeu uma licença emergencial para uso em membros das forças armadas da China. Esse foi o primeiro candidato a vacina contra a COVID-19 a ser aprovado para uso não-experimental.

Em abril, os cientistas do grupo de Coalisão para inovações em preparação para Epidemias, conhecido como CEPI aprovou dez plataformas tecnológicas diferentes que estavam em desenvolvimento.


Segundo o CEPI, as plataformas baseadas em DNA ou RNA mensageiro, ou seja as vacinas de DNA ou RNA oferecem uma promessa considerável de obter respostas imunológicas robustas e podem ser rapidamente avaliadas, refinadas para estabilidade a longo prazo e preparadas para capacidade de produção em larga escala. Outras plataformas que estão sendo desenvolvidas em 2020 focam em vetores virais não replicantes, peptídeos, proteínas recombinantes, vírus vivos atenuados e vírus inativados. Para acelerar a inovação, pesquisadores estão lançando uma série de novas tecnologias de vacinas para a COVID-19. Um exemplo são as vacinas que usam partes da proteína de pico do vírus (os “espinhos” que você vê nos desenhos que ilustram o vírus). Alguns cientistas estão trabalhando em vacinas que escondem partes do vírus em outro vírus não-infeccioso ― chamado adenovírus ―, usado como um “cavalo de troia”,


Em geral, as tecnologias de vacinas que estão sendo desenvolvidas para o COVID-19 não são como as vacinas já em uso para prevenir a gripe, mas estão usando estratégias de "próxima geração".[ As plataformas também são projetadas levando em consideração mecanismos de suscetibilidade à infecção pelo COVID-19 em subgrupos populacionais específicos, como idosos, crianças, mulheres grávidas e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.


Apesar do esforço relacionados ao desenvolvimento tecnológico, as falhas de produtos vacinais podem ocorrer e resultam de vários fatores relacionados a Inadequações da própria vacina podem ocorrer devido à eficácia tecnológica incompleta (menos de 60% da eficácia resulta em falha na criação de imunidade de grupo), ineficácia da via de vacinação (músculo vs. pele, oral ou nasal) ou até falha na distribuição, sem uma cadeia de refrigeramento para distribuição ou armazenamento. Determinantes relacionados ao hospedeiro ("vacinado") que tornam uma pessoa suscetível à infecção, como genética.


O estado de saúde (doença subjacente, nutrição, gravidez, sensibilidade ou alergias), competência imune, idade e ambiente econômico ou cultural podem afetar a gravidade da infecção e a resposta a uma vacina. Pessoas idosas (acima de 60 anos), hipersensíveis a alérgenos e obesas têm suscetibilidade a imunogenicidade comprometida, o que impede ou inibe a eficácia da vacina, possivelmente exigindo tecnologias de vacina separadas para essas populações específicas ou vacinas repetitivas de reforço para limitar a transmissão do vírus.


Grandes são os desafios, mas sabemos que o SARS-CoV-2 apresenta uma taxa de mutação relativamente baixa, 25 mutações por ano contra 50 mutações por ano do vírus da gripe sazonal. Sua estrutura, com os ‘spikes’ que formam sua já famosa coroa, parecem alvos de acesso relativamente fácil para anticorpos induzidos por uma vacina, assim aguardamos ansiosos o desfecho desta tão esperada forma de prevenção respeitando a segurança e o tempo da ciência.




Nara Rosana Andrade 
Oncologista Clínica- Sócia da OncoTag

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